AS PRECAUÇÕES COM SEGURANÇA E A CIVILIDADE NOS ESTÁDIOS

Em 1992 aconteceu um acidente com 3 mortos e vários feridos na decisão do brasileiro entre Flamengo e Botafogo. Já se vão 25 anos. O que aprendemos de lá pra cá? Muito. O que podemos aprender? Muito mais. Não se compara a situação atual do Maracanã com a daqueles tempos dos sacos de mijo folclorizados por muitos da crônica esportiva.

O projeto arquitetônico do Maracanã não admite "puxadinhos" sugeridos por policiais e diretores de clubes. Sem querer desmerecer os envolvidos, mas eles não dispõe do conhecimento necessário sobre o desenho desses novos equipamentos esportivos. Foram feitos para garantir fluxo de entrada e saída, como se as pessoas fossem gotas de água, descendo por rampas e acessando em minutos seus respectivos transportes coletivos.

Acontece que o mundo real mudou. Há a questão dos atentados terroristas em grandes eventos - coisa que o Brasil dispensa, tamanha a incompetência por aqui, nem precisamos deles para inaugurar desastres - e principalmente a inexistência da civilidade que hoje é exigida nos melhores palcos copiados da Europa para espetáculos de futebol.

Poderíamos aprender com o que já foi feito por aqui, nas Olimpíadas e na Copa do Mundo, e utilizar inteligência acumulada de sobra para adotar novos parâmetros. É muito pouco provável que isso aconteça. Os vazios no Maracanã, sob pretexto de evitar conflitos entre torcidas é uma burrice completa. Ali, no barato são 350 mil reais de prejuízo.

O espaço do Maracanã foi pensado para ocupação com civilidade. É um desafio, em se tratando do Rio de Janeiro, da heterogeneidade antropológica, com toda espécie de pessoas, culturas, temperamentos, paixões. Ajuda muito o serviço de som, que deveria ser melhor utilizado para aplacar os ânimos. Há uma quantidade de câmeras que torna muito fácil resolver assuntos com resposta quase instantânea, e a melhor polícia de estádios do país.

Não tenho lembrança nos últimos 10 anos de ter visto tanto quebra-quebra e bagunça nas entradas do Maracanã e mesmo do Engenhão. Coisa orquestrada pelo demônio da incompetência, pura e simples. Não há como justificar filas, justo pelos fatos que acabo de explicar. O lugar foi feito para entrada rápida e saída à jato. Falta gente capacitada para tocar o bonde. E aí amigos, vão me desculpar, mas a pouca frequência de uso é um fator decisivo para o fracasso. É comum aquela broxada para os que praticam pouco o esporte.

Quem precisar de ajuda nesse campo, estamos disponíveis para ensinar o caminho das pedras. A arquitetura e o urbanismo precisam ser respeitados. A idolatria dos jogos na Urubulândia vai cobrar seu preço. E um deles é a desorganização do espaço e controle do maior templo de futebol do mundo, o Maraca.

COM A POESIA EM CAMPO O JOGO FICA BEM MELHOR

É sempre difícil assistir um jogo qualquer sem a presença da beleza e da poesia. Quando tiver que descrever o que vi, terei que fazer uso dela. Foi hoje o dia de desencavá-la, como na exumação de corpos. Encontrei uma música do botafoguense, Vinicius de Moraes, o mesmo criador da linda expressão "o anjo das pernas tortas", dirigida a Garrincha.

"E por falar em saudade

Onde anda você

Onde andam os seus olhos

Que a gente não vê"

Era até ali um jogo árido, quase insípido, sem o brilhantismo que se espera de uma decisão num clássico. A obviedade recursiva dos últimos confrontos se repetia como uma gravação da partida anterior e da anterior e da anterior. Uma pelada com muitos erros e até cerimônias de bumba meu boi, importadas do Pará. A paciência se esgotava com a falta de talento e inspiração em campo, as cobranças seguiam de lado a lado, tudo parecia esperar o fim dos 180 minutos para adentrar no matadouro das penalidades máximas.

A discussão não deixava margem aos céticos quanto ao garoto Júnior. Sem Guerrero, não fazia o menor sentido deixar ele por Vizeu. Havia também os que prefeririam a saída de Berrio. Poucos cogitavam jogar sem Everton. Nesse ponto, tratava-se de voto perdido.

Nem uma coisa nem outra. A história se repetiu. E o Flamengo optou pela formação com os mais velhos, estabelecidos, mesmo que em pior forma, mesmo que sem jogar bola faz vinte dias. Tudo que eu não imaginava ser possível decidir racionalmente foi feito. E prevaleceu assim a feiúra, até que...

Até que o tal velocista colombiano, fizesse a diferença. Seu drible pela parte dos fundos do campo me fez lembrar um outro jogo - também disputado no Maracanã, sempre ele - monótono, um Brasil x Equador, que de repente entrou para a história, com a invenção de um drible feita pelo lado esquerdo do ataque, por Robinho. O drible ganhou nome, "vai pra lá que eu vou pra cá", ganhou placa, mudou a história do jogo.

Assim aconteceu com Berrio hoje. Após receber uma entrada mais violenta na partida anterior e ter uma limitada habilidade em espaços mais curtos, se mostrou especial após uma excelente enfiada de Rodinei, com quem se entende bem melhor do que com Pará e fez nascer o drible "cadê você". Enquanto Vinícius procurava em suas estrofes apaixonadas pelo corpo da amada que o deixara morto de prazer, o atacante rubro-negro deixou a ver navios seu marcador implacável até aquele instante.

O que veio depois foi apenas consequência desse desabafo amoroso que só o futebol e as mulheres que amamos podem oferecer com abundância. Qualquer jogo, com poesia, fica bem melhor.

GOL DE PLACA À LA ROMÁRIO

Nunca é tarde pra lembrar. Foi em 1993 e o jogo marcado por um placar trágico contra um adversário fantasmagórico. O Uruguai demorou pra cair no Maracanã dos 100 mil. Foi mais de uma dezena de lances de gol, um gol de cabeça de um baixinho, peleja definida, agora era hora do desfecho final. O Brasil toma a bola no meio de campo, pelos pés de Mauro Silva, um daqueles volantes que sabiam enfiar uma bola. O lançamento não poderia ser mais perfeito, e encontrou no vazio a disparada enlouquecida de um gênio chamado Romário.

O que aquele segundo gol deixou de herança para as novas gerações? A explosão pra chegada na bola, certamente é uma lição. Afinal, cem metros são cem metros e sem esse motor de arranque não se chega a ser um rompedor no ataque. Velocidade é um requisito para certas posições. Mas para mim, aquele gol é uma aula de drible de corpo. Ali não se trata de levitação e transcendência.

É brincar com a física, como se estivéssemos assistindo uma partida de pique-cola. Foi disso que nos nutrimos, pelas ruas do Rio de Janeiro. É provável que esse drible de corpo tenha nascido por aqui. Ao deixar a bola ir por um lado e lançar o corpo para o outro, lá se vai o goleiro atrás de você. Só que você mudou de ideia e foi para o outro lado, realizando um esforço contra a própria ação da gravidade, essa tal força inercial, se decidindo ser centrípeta ou centrífuga. Ali há invenção genial, nascida nos fundos de quintais do Jacarezinho, Olaria e adjacências. Meus sentimentos a mãe do goleiro que foi enganado. Minhas honras a toda torcida que assistiu no templo do futebol esse número de ilusionismo que só os mestres podem proporcionar.

O garoto Jr. foi lá. Mesmo naquele lugar desprovido de glamour, uma Urubulândia sem o tamanho dos grandes times que já passaram pelo Rio de Janeiro e cravou seu nome na história. Como numa das páginas de "Em Busca do Tempo Perdido" do mestre Marcel Proust, recuperou na memória coletiva do futebol esse momento eternizado por um de seus maiores craques.

Um gol de placa à la Romário, não é coisa de um qualquer. É hora de dizer claramente, negro, patas de puma, bem nascido e orgulhoso de São Gonçalo, ir celebrar com os amigos do seu lugar é a única garantia ao talento precoce, cultivado na raiz das marcas de uma escola de futebol de rua. Porque essa é a nossa escola. É dela que se ressente o futebol europeu, e é por isso que talentos como o garoto Vinícius Jr. nos deixarão com saudade. Foi preciso um técnico colombiano chegar ao Brasil para escalá-lo de início. Sem desmerecer os outros pretendentes a usar uma camisa de titular, afora o goleiro, estaria escalado no meu time em qualquer posição. Ficar de fora, assistindo cabeças de bagre jogar deve ser uma merda.

Marcio Mercante / Vladimir Cavalcante

MOULIN ROUGE DE TOULOUSE-LAUTREC, DIVIDIDO COM NEYMAR

Vladimir Cavalcante

Moulin Rouge na visão de Toulouse Lautrec

Vladimir Cavalcante

É. Neymar chegou incendiando, acima de tudo festivo. Como pediria uma visita ao Moulin Rouge acima, pintado por Toulouse Lautrec nos bons tempos orgiásticos daquela casa de alegrias insondáveis e belas. Com o grau de responsabilidade e tesão que lhe caracteriza, sobra-lhe talento. Foi bem assim que a estrela fez a sua estréia. Fez todo mundo dançar. O que mais uma torcida enlouquecida poderia querer? É cedo ainda para afirmar que sua decisão foi equivocada? Ou teria sido o pivô de uma nova onda de transformações na dinâmica do fluxo migratório hoje existente no futebol internacional?

Hoje não é dia para conjecturar sobre a engrenagem geopolítica de indústria. O que vimos foi futebol arte, admissível e exemplar. Certo comentarista falou que se fizesse o mesmo pelas bandas do sul, seria o craque "quebrado". É uma visão. Ela aparece no Twitter dos descontentes, que buscam submeter o talento pela violência, dentro de fora de campo, dentro e fora dos estádios. As opiniões existentes no planeta são relfexo daqueles que habitam nele. E a grande questão é que tem muito mais perna de pau do que craque, em todos os ramos de atividade humana.

Isso não significa que devamos abdicar do belo. A cidade-luz é palco perfeito para sua manifestação. Em lugar das partidas monótonas, sem sabor, cheiro ou som, música, fome e perfume. A vítima foi o Toulouse. Poderia ter sido qualquer outra. Com presença de nome, até alimentou falsas esperanças ao se fazer ofensiva. Mas a questão é, como ser perigosamente ofensiva diante de uma equipe com Di Maria, Cavani, Neymar, Kurzawa, Pastore, Rabiot? Não me parece ser o melhor projeto. Foi fatal ter que levar pra casa uma sacolada de gols.

A obra de arte feita, resta visitar a obra de Toulouse Lautrec como reparação ao prejuízo, talvez comprando um quadro que acompanhe o seu na parede da sala. Os artistas merecem exposição à altura de suas contribuições para a humanidade. Sair de uma experiência orgiástica dessas, vale muito mais que os 60 Euros cobrados para o próximo confronto contra o Lyon, que deve ser entendido como um passeio pelo Parque dos Príncipes.

QUANDO TUDO ERA AZUL NESSA JAMAICA DOS SONHOS

USAIN BOLT NA RETA FINAL DE LONDRES

Kai Pfaffenbach / Vladimir Cavalcante
Lutando contra dores, adversários e idade, o importante é ganhar ou perder naturalmente.

À QUATRO MÃOS DE NANQUIM DA CHINA E UM DEDO

Nanquim a cidade, nanquim a tinta chinesa que revolucionou essa mesma escrita que hoje me acompanha com teclados mais parecidos com os de piano. A tinta nanquim - também conhecida como tinta da China, copiada pelos hindus e por isso re-rotulada de "indian ink" - é uma prova de que os chineses são um povo de originalidade ancestral, arte elitizada na alma.

O Brasll ganhou esse título no embalo do presente das chinesas. Esses que dois mil anos atrás misturaram nanopartículas de carvão com água e goma arábica - nos tempos em que não existia a palavra nanopartícula - talvez não tenha tido a frieza para perder ao longo da competição, economizar um pouquinho de energia e voltar com força máxima nas semi-finais. Perdeu sua maior pontuadora e melhor do mundo, a Zhu Ting contra a Itália, com uma contusão levando-a a jogar no sacrifício. O papel das contusões nas competições é como o borrão de um desenho. Serve como lição num croqui, mas estraga a obra-prima.

Coube ao dedo experiente do Zé, nos últimos jogos bem mais estressado que normalmente, conduzir ao pódium um grupo de menor experiência internacional, a maioria com

Há muitas imagens que representam o fio da história desse jogo. As do podium, por exemplo, em dupla presença, a estática e chata, a explosiva e em movimento, que bem merecia uma gravura em Mangá - o que é essas pernas impressionantes e musculosas da 12 da seleção - tamanha a felicidade do grupo. Elas imprimem respeito.

E a pontuadora negra de um time europeu, representa da forma mais justa a complexidade que nos aguarda para o compasso da política imigratória. A beleza e potência dessa pontuadora que fez 29 pontos e quase complicou nossa vida. A Cristina Chirichella voando na rede e com sua liderança em quadra, foi combustível para queimar em qualquer fogueira de São João por aqui. Uma dupla Ébano e Marfim, um mundo sem fronteiras e multicor, onde a libertação fosse simplesmente a liderança pelo talento.

Os desenhos, sempre eles. Como são importantes a fantasia, a emoção, a imaginação criando os detalhes da cena. Há maestros como Tite, quem já viu as apresentações nos campos sabe do que digo. Mas Zé Roberto lida com as moças e administra uma casa de porcelana. Acompanhei fracassos dele, equivocadamente classificados como inaceitáveis, quando o melhor a dizer era que há times tão preparados quanto. Não fosse assim, essa mesma China não teria suportado sofrendo 4 set points antes de ganhar da Holanda. A ponta da caneta tinteiro gira e dá muitas voltas. Há certos arranhões que a ponta provoca que podem rasgar o papel, por falta de habilidade no trato com a pintura. Pura fuligem. Aquele destino não foi nosso lá, vieram as forras aqui. O técnico do Brasil é hoje aquilo que ainda não era, o dedo que faltava. A consciência obtida ao longo de tanto tempo liderando equipes e os cabelos grisalhos deram a dimensão de sua importância.

Ainda é cedo para sonhar com tanto. Mas essas meninas são a fronteira de uma nova geração, capaz de encarar em igualdade de condições a dureza do equilíbrio vestindo a amarelinha sem amarelar.

Foto: FIVB / Vladimir Cavalcante

TODOS PRONTOS PARA O SEGUNDO TURNO?

Não quero transformar essa página numa retrospectiva. Outros farão isso de forma bem mais completa que eu. O Campeonato brasileiro de 2017 é que nem Programa do Chacrinha: só acaba quando termina. Mas parece que já terminou. Essa coisa de pontos corridos... Tenho amigos por todos os lados que por terem visto de tudo, preferem substituir a regra pela exceção, só para contrariar a obviedade de circunstâncias.

Algumas perguntas. Poderíamos imaginar que o Corinthians, campeão desse 1o turno que terminou, diante da supremacia apresentada e invencibilidade nos 19 jogos das 19 rodadas, poderia cair para a 2a divisão? A resposta é um rotundo não. Mas é claro que até ele pode ser relativizado por sofistas do futebol. Se com o time todo o avião caísse, numa tragédia como a que aconteceu com o time da Chape, que enfrenta o Barcelona justo por isso, até poderia cair. Mas não vai.

Usei esse argumento extremo para fazer valer a regra. A exceção faz parte de um movimento de alto risco, coisa que um palpiteiro qualquer pode fazer e ganhar sozinho, como zebra.

Nessa linha de raciocínio, o que sobrou dos cacos citados pelo Zé Ricardo? Nessa que imagino será - e foi - sua última coletiva como técnico do Flamengo? Sei lá, tenho observado que dá muito mais IBOPE, credibilidade e amigos, falar sobre projetos, visão de futuro e sonhos de promessas do paraíso. Papo que alicia até homem-bomba. Há algo em comum entre o fanatismo religioso e o das torcidas. Não representam a maioria dos religiosos nem a soma dos torcedores, mas se impõem pela força. Não aprecio essa opção, me resigno a constatar sua existência. A barbárie está aí. Em 2009 acompanhei quase toda a trajetória do time rubro-negro, expectativa de Adriano na seleção brasileira e destacado um dos melhores do mundo em pleno Maracanã.

Aquilo era uma outra história e a curva de recuperação tinha um grupo de monstros na linha de frente. Além do Imperador, Pet e Bruno que pegou penalidades decisivas em jogos que valiam 6 pontos. Acreditar ali era mais razoável, se via em campo uma defesa com o herói Angelim. Não pude fazer os últimos jogos, em Londres fiz minhas apostas no título, mostrando as fotografias num bar temático brasileiro, e fiquei sabendo da queimadura que tirou a máquina de gols na hora decisiva. O improvável aconteceu, mas havia cobertura, lastro, uma atmosfera destinada a vencer fosse como fosse. Naquele grupo não tinha mocinho. Hoje temos planilhas e papéis. O mantra é "performance". É desse jeito que se garante pelo menos o meio da tabela.

Na última rodada se enfrentaram dois times que decidiram abdicar do Brasileirão como objetivo primário, por saber de suas limitações em ocupar com intensidade e qualidade várias competições ao mesmo tempo, rotinas puxadas, lesões, enfim, abraçar o mundo, como dizia a vovó, "mais vale um passarinho na mão do que dois voando". Foram essas as razões que levaram Renato a perder de forma calculada 6 pontos. Os três daquela partida contra o Sport Recife, num 4 x 3 descuidado. Havia uma desorganização e uma apatia não aproveitada por uma decisão lá na 3a rodada. Uma derrota em casa para o líder e lá se foi o campeonato para o Grêmio. Foi merecido, mas não rendeu ali o que se esperava. O foco na Libertadores deixa o gremista menos comprometido com a competição. Mesmo assim, são quase sempre a certeza de jogos bonitos, desses que vale pagar o ingresso, especialmente pelo Luan, que brinca de jogar bola. Perder para o Avaí foi fatal nesse plano B.

De forma parecida, o Atlético-MG com a melhor campanha da Libertadores deixou claro suas primeiras intenções. Essa que na minha opinião é a melhor linha de quatro, Cazares, Fred, Otero e Robinho, são alegria para o futebol. O caso do Cazares é muito parecido com o do Jô. Seu ótimo rendimento dentro de campo esse ano é resultado de uma mudança comportamental pelas noites de Belo Horizonte. Até porque sua técnica sempre foi refinada, faltava foco. A dependência pelo rompedor e referência Fred, é notória. Jogar sem ele tem gerado prejuízos ao galo. Não maiores que os de uma defesa instável. A questão que já abordei aqui, sobre os times com maiores preocupações defensivas como uma prioridade no futebol, hockey, basquete, entre outros esportes coletivos. Repetem o jogo entre reservas, isso dá noção sobre como técnicos inteligentes lidam com limites de elenco.

Apareceram os goleiros, a novidade não tão nova de competência dos guardiões nos penaltis somada a um certo descuido dos batedores.

(continua)

UM BRASIL E SÉRVIA GRAÇAS A CHINA

A quase imarcável Tijana Boskovic

Photo: FIVB / Vladimir Cavalcante
Dona de uma precisão e altura fora do normal, ela foi a maior ameaça ao Brasil

A cidade-sede desse Grand Prix de Volei feminino não é Pequim, mas justamente a sua oposta geográfica ao sul, Nanquim. A nosso favor o clima sub-tropical. Tivemos que ir jogar lá para dispor dessa facilidade. Por aqui, decidiram colocar os jogos da seleção masculina no meio do frio do sul. Falta um pouco de estratégia nesses tempos de decisões apenas políticas, sem foco no resultado para o nosso esporte. Uma dos elementos geográficos mais importantes do lugar é o seu rio Yangtzé, que conheci algum tempo, pelas obras sobre-humanas de transposição, a custos de 60 bilhões.

Ainda não sei. A China decidiu não perder para a seleção holandesa e benefeciou as meninas do Zé que nessa madrugada-manhã estão enfrentando a Sérvia. Pra aguentar esse viradão só a base daquela jarra de suco de caju ao lado, enquanto a chuva cai e a energia elétrica cai e interrompe minha rotina de backup.

Uma partida até aqui com muitos erros. As duas seleções tem dificuldades na recepção, essa vantagem sendo alternada, privilegiou a Sérvia na primeira etapa. Com duas jogadoras de muita força e um bloqueio não encaixado da nossa seleção fomos convidados a quase jogar a toalha.

Mas elas também erram e não são as melhores no aspecto defensivo. Alguns desperdícios, a essa altura do equilíbrio entre as equipes de ponta, podem tirar a vaga na final desse mundial de volei. Sei lá, um presente desses, confesso que não daria. Porque o Brasil é bem mais imprevisível, e pode, se bobearem simplesmente ganhar. A subida de produção vai ficar mais pra frente. Essa formação ainda está longe do nível ao qual estamos acostumados, mas isso não impede de sonhar.

Agora, se passar das seis da manhã, o último gole de suco de caju terá acabado e o caminho até a padaria já sugere uma média com pão e manteiga. A julgar por esse 3o set avassalador, diante das abatidas sérvias frente ao placar de 25 a 14, é provável que consiga dormir antes. Nós sacamos a no máximo 60km, o que é quase a metade delas. Os 100 km de velocidade na potência do saque vai reduzindo para as adversárias e o jeitinho a colocada, a sutileza vai se impondo como forma mais eficiente de se ganhar um jogo. E nisso, somos os melhores. Tenho dúvidas quanto a vencer as chinesas com a melhor do mundo. Não vejo a consistência necessária para essa tarefa já consolidada. Mas o favor prestado pode se transformar num presente de grego as avessas. E aí... Apesar de um deixa que eu deixo que nos condena, uma largadinha nos absolve de todos os pecados.

O Brasil arrisca ganhar. E se isso acontecer, espero que Tandara esteja entre as melhores do mundo ao final da competição. Foi decisiva nessa semi-final. E os três bloqueios em série em cima da melhor jogadora sérvia foi pra lacrar o domingo em verde e amarelo.

O ÚLTIMO TANGO DE BOLT

Neymar mimetiza gesto de Bolt

bolt / Vladimir Cavalcante
No gol da final entre Brasil e Alemanha o atacante entra no clima

O ator Marlon Brando protagonizou o que naquele tempo era considerado uma obra de erotismo extremo, dirigido por Bertolluci, com locação em Paris. Não será nessa cidade que Usain Bolt se despedirá das pistas de corrida. O Mundial de Atletismo em Londres, acontece um ano depois das Olimpíadas RIO 2016. Não cabe aqui explicar porque tango se a cidade era Paris, ou porque Bolt se a cidade é Londres. Há circunstâncias e misturas desse mundo globalizado onde o melhor é não querer construir sentido. Não fará.

Na semana em que Neymar se torna o atleta mais valioso do planeta, vestindo a camisa 10 do PSG, Bolt será ovacionado como um semi-deus, que de fato é. Há uma coincidência envolvendo esses dois. No mesmo dia em que a seleção brasileira ganhou nos penaltis da Alemanha, sua 1a medalha de ouro olímpica, jogando num Maracanã com lotação esgotada e Bolt na platéia, foi possível ver esse imbatível ainda chegar no Engenhão para receber a medalha conquistada na prova do dia anterior. Meu fotógrafo desse dia foi o próprio raio, que ao ser homenageado com sua pose no gol de Neymar, postou em seu Twitter. A circulação de ideias e ícones segue por rotas cada vez mais e mais entrelaçadas.

Essa matéria é apenas uma prova bem viva disso. Essa circulação intensa de espetáculos cada vez mais comprimidos, concatenados, mas ainda pouco aproveitados em toda sua complexidade e riqueza. A despedida de um atleta do naipe desses me remete a morte de Ali. Foi pela madrugada afora que escrevi em transe e anunciei antes mesmo de muitos veículos brasileiros e contando com coincidências das mais improváveis. Me causou emoção insondável, que só não sensibilizou minha platéia improvisada de uma oficina sobre roteiros, que invade quase sem querer, achando que estava dando a melhor contribuição para o engrandecimento da arte, quando não passava de um reles inconveniente da ocasião. A espontaneidade e o senso de timing do marketing e do jornalismo sempre acabam fazendo vítimas, que naquele caso eram amigos e me perdoaram.

Não haverá tempo para escrever a saga da vida desse jamaicano, passear pelos números da velocidade que segue rodando pelos relógios aperfeiçoados, dessa que é a prova mais nobre entre todas as de qualquer esporte praticado pelo homem. Ali mora a sobrevivência a ser reverenciada. O mais rápido é aquele que materializa em seu corpo a noção de excelência no tempo. Na dança, há o tempo, o compasso, a coreografia. Na corrida, a técnica apurada é um segredo armazenado em nuvens de computadores onde algoritmos vão ajudar a fabricar novas teorias para gerações de atletas. O futebol de hoje também é - ou melhor desde os tempos de Pelé, o maior atleta do século XX - cada vez mais um espaço para velocistas.

NEYMAR: O CARTEL DO FUTEBOL E O FAIRPLAY FINANCEIRO

E aqui estou eu, em Paris. Lugar bom para viver a base de pão, suco e queijo. Nas promoções é fácil não passar fome. Já as garrafas de água e as paradas naqueles cafés, bem deixo para quem ganha em Euros. É certo que as discussões sobre imigrantes, os atentados terroristas e a escalada das violências raciais muito presentes numa sociedade xenófoba não atingirá o ídolo brasileiro comprado com dinheiro "das arábias".

Os chamados hostile takeover - tomadas de recursos de forma hostil - são prática comum entre tuberões e piabinhas. Sempre afirmei que no Brasil é praticamente impossível que um mesmo time de futebol faça fila de títulos, mantendo seus jogadores campeões nas temporadas vitoriosas anteriores. O que acontece quase sempre, são os desmontes. As equipes são pura e simplesmente desmanchadas.

De uma forma diferente, mas que acaba dando na mesma, o basquete americano esse ano foi objeto de polêmica na forma como o Golden State montou sua máquina de títulos. Se grana não falta, o lance é comprar e fabricar artificialmente o time dos sonhos. As regras aplicadas depois que a cerca foi derrubada só pioraram a situação pois elas não podem ser retroativas. Então quem se deu bem, continuará na assimetria, e quem poderia se dar será contido no desejo. Ninguém anda muito satisfeito com isso, excetuando-se a máquina de títulos e seus adeptos.

Não há como evitar a destruição do negócio que é o futebol brasileiro enquanto centro de atratividade midiática para o mercado internacional. Esse espaço já foi definido e está muito bem preenchido pela Europa. É ali que estarão os melhores do mundo. Vai que a China tente, mas não terá a audiência, fator que representa 40% do faturamento das transmissões ao vivo em TV. É uma equação difícil. Mas tem donos.

O que não é possível compreender é como um negócio tão lucrativo quanto o futebol, o maior esporte do planeta, pode mesmo assim dar prejuízo e deixar verdadeiros buracos negros financeiros nas contas das Ligas Inglêsa, Italiana e Espanhola, três dos maiores mercados da Europa? Essa é uma pergunta que não responderemos aqui. É um assunto sobre ordenação econômica de mercados e fundamentos especulativos. Nada impede que um mercado como o do futebol seja também vítima de uma bolha. Deixo em aberto, apenas informando que os 20 clubes da liga inglesa deviam em 2009 cerca de 3 bilhões de Libras. A argumentação clássica de que se compra o almoço para pagar a janta, e que ao entrar na terra prometida as dívidas desaparecem, leva muitos a apostarem o que não terão como honrar e arriscar assim a falência do Clube. São balcões de negócios extremamente voláteis e flúidos.

Os únicos que tem suas receitas garantidas são os "Administradores do Shopping Center Futebol Clube". Todos sabemos que nesse movimento de criação e destruição de "lojistas", haverá sempre alguém para ser canibalizado na fila, louco para entrar na roda de negócios.

Do ponto de vista de Neymar, numa roda de amigos de pouco entendimento sobre o mundo das finanças ou mesmo das rodas de negócio esportivas, procurei mostrar os números, pura e simplesmente. A maior transação já feita envolveu Pogba. E ficou pela metade do que se oferecia ao brasileiro. Ali se definia um destino. Salvou do amadorismo a extrema personalidade do atleta que nesse aspecto nunca decepcionou seus apostadores. Ele joga sempre para o lance mais alto, que nesse caso era o dele. A proposta era irrecusável sob todos os aspectos. E não se repetiria, essa probabilidade foi calculada.

Quem é do futebol sabe que alguns jogadores entraram para a história em certos contextos, não exclusivamente sob o aspecto grana. O caso do Pelé indo jogar nos EUA inaugurou uma época. A ida de Zico para o Japão, onde se tornou ídolo eterno e introduziu o futebol arte por aqueles lados. Como visionário instintivo, estaria aí o craque Neymar deslocando o eixo das hegemonias dominantes hoje na cena do velho continente? Não temos como saber. Ainda é muito cedo para avaliar o efeito Neymar em território francês. Mas o fato é que chegou com cacife para isso. Não teria essa possibilidade num prazo mais curto se permanecesse pela Espanha.

Uma tomada hostil é do que se trata. Ninguém ali pediu licença. O poder do dinheiro falou mais alto e levou o talento de reserva estratégica com valor futuro. Como vem sendo feito nas varreduras ao redor do mundo. O Brasil é um dos países de maior incidência dessa nova configuração e distribuição de talentos. Os extra-série pouco ou nada vimos jogar. Já nascem encomendados nas incubadoras disfarçadas pelo país. Quando a gente vai ver, já foi.

A geração de torcedores atual não terá a mesma sorte de ver um Pelé jogar até quase pendurar as chuteiras, acompanhar seus ídolos campeões do mundo, ali no seu quintal, com a sua torcida local. Estão hoje condenados a assistir uma final na Europa, da Champions, como se fora um europeu qualquer, pagando pelo ingresso o preço de ouro, numa modelagem exclusivista e que elitiza de forma monopolizada a estrutura do futebol.

Ainda temos que acompanhar amigos da imprensa local enaltecendo esse modelo, assim como as grandes equipes e suas excepcionais capacidades de organização, estrutura e o caralho de asas ou aquele belo quadro de Dali, O Grande Masturbador. Tudo cai por terra quando se olha para os números. Mas tem que olhar profundamente, o grau de endividamento dos clubes vai se espalhando como um virus, alavancando mercados e fabricando o ambiente ideal para uma nova e avassaladora bolha econômica. Quem viver verá. Ou melhor, quem está vivo, vai vendo, vai vendo.

VladC / Vladimir Cavalcante

TRÊS JOGOS DE UMA MESMA COR

Dizem que futebol não tem cor. E não tem. Mas é que algumas partidas de futebol do meu catálogo de jogos assistidos aparecem como peças de uma mesma matiz. Ao mesmo tempo em que guardam diferenças conservam suas exclusividades. Talvez o recorte que farei não lhe sirva. Mas serve pra mim.

A primeira partida é uma aula de futebol contemporâneo, de times preparados para vencer torneios, os chamados competitivos. É que as competições tem lugar para os mais fracos, os queridinhos da mídia, os esquadrões de maior valor de estrelas, há espaço para muita coisa. Mas há os que entram decididos a ganhar a competição. É desses que falarei aqui, no contexto do futebol contemporâneo.

A partida Alemanha e França aconteceu no Maracanã. O dia era mais que histórico, o acontecimento da Copa, pode-se dizer assim. A Alemanha meteu o seu. E coube a França, aparentemente até melhor na partida, pois buscava recuperar o resultado, o ônus do desgaste. Observem bem, eu disse, desgaste. Martelou, martelou, martelou, por todo o tempo, até o fim. No último lance do jogo, seu artilheiro, o talentoso Benzema teve que encarar o paredão Neuer, que com uma simples esticada de braço no reflexo, espalmou para fora aquele que seria o gol de empate.

Esse jogo, que considero emblemático da forma como vi jogar todos os times candidatos ao título da Copa do Mundo de 2014, se repetiu como uma espécie de variação de um mesmo tema, em torno de quase todas as partidas que tive oportunidade de assistir, naquele momento em que coisas são decididas. A regra geral tem sua razão de ser. Se o importante é vencer e você obtém uma vantagem mínima no placar, passa a jogar com o placar a seu favor, de um modo muito mais cuidadoso, calmo, zelando pela precisão. Isso é especialmente importante quando existe equilíbrio entre as equipes e as coisas acabam se decidindo nos pequenos detalhes. Nessas horas, os erros são quase sempre fatais e irrecuperáveis.

Aprendida essa lição, ninguém é obrigado a aplica-la a ferro e fogo. Todos tem o direito a um momento de surto, diante de um esporte tão repleto de emoções. Mas o papel do técnico é entender as vantagens que possui e utilizar a mesma em benefício de seu plantel. O Corinthians é hoje o time brasileiro que mais sabe aplicar conscientemente essa dinâmica, em quase todos os seus jogos.

Usarei as duas últimas partidas desse brasileirão 2017 contra times cariocas. A primeira delas, contra o Fluminense. O time das Laranjeiras foi muito bem nos 45 minutos da 1a etapa. Uma filosofia bem feijão com arroz, bem adotada em diversas etapas pela equipe, seja com Mano, Tite ou Carille, o Corinthians sabe fazer o que times consistentes fazem para vencer. Numa competição de longa duração é fundamental não agir como coelho. Gastar energia na hora certa, aplicar intensidade no momento apropriado. Parece simples, mas é um padrão de jogo difícil de ser assimilado, inclusive culturalmente. A expectativa da maior parte das torcidas é de ver o seu time massacrando, dando show e aplicando goleadas históricas. Isso até poderia ser a realidade, mas não com a simultaneadade em dimensões continentais nas quais os atletas são submetidos. A intensidade não segue mantida. Não dispomos no futebol de nível científico de acompanhamento para alta performance que é adotado em eventos olímpicos ou mesmo o basquete americano. É diferente. A concepção da coisa é diferente nos trópicos. O atleta é moldado para ser de um grupo, com todos os temperos que o lugar admite.

Repetindo em linhas gerais o que se viu no Maraca, o Itaquerão teve vida facilitada com gols anulados, e gol. Dali em diante, um Flamengo lutando para furar o bloqueio sempre eficiente do time paulista. Como a França de Benzema, martelou, martelou, martelou, contra um time já desfalcado do seu mais cerebral, Jadson. Só não é admissível perder Jô. Esse considero insubstituível no curto prazo, pelas decisões, potencial e fase em que se encontra.

Jogando com um velocista em modo facão, mas que tem também recursos pelo alto, pleno domínio de bola, ótimo deslocamento e entrosamento com os passadores de bola, fazer mais um numa defesa exposta pela necessidade de empatar ou ganhar, vai dando ao candidato ao títulos todas as credenciais para fazer um segundo turno com maior tranquilidade.

A não ser que...

VladC / Vladimir Cavalcante

MUTV E A NOVA REALIDADE DAS TRANSMISSÕES ESPORTIVAS

Escrevi um artigo sobre o assunto - "LIVE NOW OU SUA MARCA VAI ACABAR COMENDO POEIRA" - anexado logo abaixo e creio que o lançamento de aplicativos para acesso ao canal do Manchester United é motivo de sobra para comemorarmos. Por 1,99 dólares ao mês, estar plugado ao time do coração é uma barbada.

Já Clube de Regatas do Flamengo também mandou bem ao disponibilizar em 14 salas do Cinemark, no país inteiro, o jogo Santos x Flamengo, lá na Vila Belmiro. No Rio de Janeiro, três salas - DownTown, Botafogo Praia Shopping e Metropolitano. Preços de ingresso extremamente salgados, me fazem ter a certeza de que a Diretoria do Flamengo nunca ouviu falar em time das massas, apesar de ser boa em marketing.

Mesmo assim, a cena ainda é boa. Pena que não seja para todos.

LIVE NOW OU SUA MARCA VAI ACABAR COMENDO POEIRA

Vamos ver os números? Temos 100 milhões de TV's nos EUA e na Europa, conectadas a internet. São os chamados CORD CUTTERS, que decidiram deixar de pagar osvalores exorbitantes da TV por ASSINATURA. Estamos num outro momento, repleto de novas oportunidades. Então não vai dar mole e querer ser um Roberto Marinho, Silvio Santos, Luciano do Valle ou Chateubriand em tempos de Internet e LIVESTREAMING. Servem como referências históricas empreendedoras. O Broadcast TV vai sendo pouco a pouco substituído pelo Broadcast LIVE. Um americano em idade adulta assiste em média 5,5 horas de conteúdo de vídeo por dia.

Essa situação é válida para qualquer tipo de conteúdo, mas o caso dos Esportes chama atenção e se aplica ao Brasil com toda certeza. É um conteúdo que representa 40% da audiência total dos veículos de TV em 2016. Todavia, o mercado está se deslocando rapidamente em outra direção, no que se refere a forma de distribuição. Tive a oportunidade de entrevsitar o Presidente da Federação Internacional de Pentatlo nos jogos Olímpicos RIO 2016. Um esporte de nicho mas com presença global. Cenário perfeito para transmissões que fujam das limitações dos contratos de TV, país por país.

Em fevereiro lançou o canal das competições de Pentatlo, na etapa do Mundial na Alemanha e o sucesso de audiência foi inacraditável. Chegou a casa dos milhões. Como vários outros esportes, a prioridade das TV's é quase sempre atrelada a receita de publicidade, por sua vez priorizante da competição a exibir. Afinal, surf ou futebol? A resposta é óbvia. E assim são perdidas muitas receitas secundárias. Ou melhor, eram. Agora os organizadores em várias modalidades esportivas estão tratando de dar acesso as mesmas, graças ao LIVE.

Caminho sem volta, pioneiros em ação, parcerias por toda parte, potencial infinito. A tradução prática que comprova isso? Vamos lá:

1 - Eliminação das Barreiras de Entrada - Concessões e níveis de investimento são apenas alguns dos obstáculos que foram para o espaço.

2 - Audiência Global - Esse aspecto ainda não foi devidamente tratado em termos de adequação de conteúdo, como a escola de cinema americano sabe fazer à décadas, mas simplificadamente uma versão em inglês já dá um rosto para bilhões do seu conteúdo.

3 - Possibilidade de assistir em vários equipamentos - Tanto faz, Smart TV, Tablet, Notebook, PC ou Smartphones tornam o público muito mais amplo.

4 - Invenção de Novos Formatos - O mundo da Computação permite inserir uma série de inovações, tais como multi-telas, interatividade, escolha das câmeras para o mesmo jogo, por exemplo. Sua imaginação é o limite. Fantástico.

5 - Modelos de Negócio e Receitas - Aqui faço minha aposta numa espécie de FACEBOOK de Conteúdo. O que conta é crescer em audiência, ocupar um espaço no mercado esportivo que jamais seria possível sem o uso dessa estrratégia. Voltarei a esse ponto num artigo específico.

As lições das Olimpíadas no Rio de Janeiro foram inumeráveis. Cabe recapitulá-las, adequar as restrições de cada cenário e executar com excelência. Faça isso, ou sua marca vai acabar comendo poeira.

Vladimir Cavalcante

AS DUAS COSTELAS DE JADSON

Escrevo essa matéria, sequência da anterior sobre o tema, após um acidente nessa vida de atleta de rua.

Jadson é apenas um exemplo sobre como o resultado de uma competição pode ser afetado por contusões e desgastes. Assim foi com Diego na Libertadores, no jogo contra o Atlético-PR, a meu ver sua melhor partida no Flamengo, mesmo tendo saído para retirada de menisco. Será que voltará a jogar na mesma intensidade e frequência que antes? O Kaká não jogou com antes depois da cirurgia, o Guga idem. Essa semana o Slater fraturou dois metatarsos num acidente com a prancha na África do Sul. São inúmeros os casos de mudança de resultados prováveis por contusões. Peças-chave então, tornam a perda fatal para o time. Se Jô fosse a vítima, não sei qual seria a sorte do Corinthians no segundo turno. Toda a torcida rubro-negra sabia que sem Diego, o Flamengo teria grandes dificuldades para seguir adiante na Libertadores e assim se deu.

O DIA EM QUE O ATLETA DE RUA ENCONTROU O CACHORRO DE RUA

A rua, sempre ela. Libertadora e cruel em sua eterna dualidade. É nela que até mesmo as mais ilibadas damas se misturam aos vagabundos. O artista de rua tem suas razões para escolhe-la sem pestanejar. Há o oxigênio da ausência de regras e uma certa instabilidade que fascina. De que viverá, se perguntarão alguns. Nisso o cachorro pode muito bem ajudar. Ao longo de toda minha vida ciclística, sofri apenas quatro acidentes dignos do nome, quase todos em situações pouco previsíveis.

O primeiro acidente aconteceu ainda quando usava uma monark de velocidade, batizada pela minha avó como “mimosa”, homenagem a vaquinha que vendeu para se casar. Ao voltar para casa, após ganhar vaga como bolsista de iniciação científica, a empresa era do lado oposto da estrada com a qual me acostumara a andar em cima da faixa, enfrentando um monte de caminhões de carga, rotina quase suicida em um Campus sem ciclovia e pistas sem acostamento. A felicidade e desconhecimento dos buracos do outro foram ingredientes, um ônibus com crianças gritando ao me avistar, não resisti e persegui o veículo. Fui surpreendido por uma freada brusca com parada para descida de passageiros. Freiei intenso e busquei acostamento, onde encontrei não um buraco, mas uma cratera lunar. Fatal, a bike ficou encravada e voei. Primeiro as mãos arrastaram-se no asfalto bruto de brita. Depois foi a vez do braço esquerdo. por debaixo do corpo. Ali perdi carne mais profunda que a epiderme. O asfalto estava faminto. A única sorte daquela noite foi receber o socorro de uma fada, que parou seu carro vermelho e perguntou se ela podia me levar ao ambulatório universitário. Ali nasceram cicatrizes e amores.

O segundo acidente ocorreu numa descida de rotina, ladeirão enfrentado em alta velocidade do cume do Alto em Teresópolis até a feirinha, numa rua de paralelepípedos. Um dia chuvoso, sem novidade na cidade, felizmente desci mais cuidadoso. No meio do trajeto, avistei o que me pareceu um buraco desconhecido. Achei que bastava desviar dele, mas era pior do que isso. Uma voçoroca arrastou um trecho da rua, de ponta a ponta. Só me restou assistir a roda da frente da bike e mais uma vez encontrar os ares. Projetado e em uma pirueta, a salvação dessa vez foram o casaco de frio, extremamente emborrachado e amortecido e a mochila nas costas, que recebeu a maior parte do impacto, cheia de material de amortecimento. Algumas dores nas articulações, mas saí quase ileso se considerarmos a gravidade da queda. Foi muita sorte.

A terceira queda, um atropelamento numa ciclovia de uma Vila Militar, promovida por um sargento do exército saindo de um estacionamento. Descuidado, contou com minha habilidade, que mirei o pneu do carro dele para bater com o meu e tentar salvar o mais que pudesse. Um ferimento no joelho, de menores proporções, virou um foco de infecção devidamente coibido com a ajuda de antibióticos. O caso me tirou das estradas por algum tempo, imaginando que espaço as bicicletas possuem na vida urbana de uma cidade como o Rio de Janeiro. Uma ciclovia não é bem um lugar para ser atropelado. Mas por aqui ainda é. E se não estivesse atento e preparado defensivamente, o resultado poderia ter sido pior.

Da quarta queda ainda tenho as feridas. Acabou de acontecer na saída de um sapateiro, dia lindo de inverno, rua tranquila e sem movimento de carros. Estacionei a bike no meio-fio e entreguei o chinelo para conserto - sou desses que adotaram os 3R's de reduzir, reciclar e reutilizar. Nesse caso o motivo era pura alegria, dar de presente para um amigo mendigo e com grana, no seu aniversário. Tudo divertido, com o privilégio de encontrar o artista gráfico que fez o cartaz do 1o Rock in Rio, me despeço e começo a pedalada colado no meio-fio, uma duas três fortes, de repente, um latido, olho para o lado e um cão enorme já voando para enfiar os dentes na minha perna. Só deu tempo de virar o guidão, e me desvencilhar da fera. Não sem encontrar do outro lado o meio-fio e me espatifar em cima de uma jardineira com quinas de cimento que fizeram meu braço e ombros envergarem como bambu. O quadril foi atacado pelo meio-fio, mais um golpe de quina. Nem lutando UFC teria recebido golpes tão agudos. Defendi o que pude. Mas o que usei ficou em péssimo estado. A contusão me tirou de jogo. Lá fui eu parar no estaleiro.

Como disse Kelly Slater, diante de sua injúria menor, que elimina as chances de que seja campeão esse ano, “I'll make the best of my time off”. Vou adotar a frase como ponto de partida para as minhas férias forçadas. Prometo ler mais.

Kelly Slater / Vladimir Cavalcante

A URUBULÂNDIA E A MÍSTICA DA CAMISA 12

Quem já foi a Miami sabe quais são os paradigmas daquele entretenimento. A Disneylândia é uma Ilha da Fantasia. Os personagens emanam seus passos encantados e as crianças encontram ali as maiores atrações e sonhos. Nada a acrescentar, expectativas muito acima do imaginado, magia pura.

Urubulândia. É possível que ao cunhar esse termo eu tenha sido um tanto quanto exagerado. Não há nada de mágico naquele lugar, até bem localizado, a Ilha do Governador tem fino trato e tradição. Mas olhem para aquilo. Não se compara a um estádio de grife, não tem termo de relação possível com aquele que já foi o maior do mundo.

Sei que a mesma voz solitária que defende o Maracanã como o estádio para os grandes times cariocas é ressonância daquela que em 2014 achava um absurdo as modelagens que na prática elitizam e restringem o acesso do torcedor comum aos equipamentos esportivos de massa. Nada se compara a uma onda popular de pulsação diferente, como a nação rubro-negra. O novo flamenguista gourmet foi picado pela boca das piranhas faladeiras. Ouviu e acreditou na ladainha fácil de uma diretoria convencida e convincente para a plebe, de que o melhor para o time é jogar na Ilha da Fantasia que criaram.

Não é verdade. Mas existem lendas. E a lenda criada era de que o caldeirão tornaria como passe de mágica o Flamengo imbatível em sua "nova casa". Mentira. Lá vamos nós para dois jogos com derrota e empate, justo ali, na Urubulândia. Caiu o mito. Esse mesmo repetido por Diego, porta-voz dos cartolas e recheado de credibilidade, mas com futebol muito aquém daquele que se espera dele e do elenco. A penalidade decisiva de hoje não é crucial. O importante é apresentar um futebol destacado, o que não vem acontecendo.

Há outras inconsistências na situação esportiva do país. Vejam por exemplo os investimentos feitos no Centro Olímpico da Barra da Tijuca. Encontrei hoje uma amiga olímpica que me informou a suspensão de atividades da paralimpíada em Deodoro, por falta de verbas. Ali já estavamos sendo torpedeados, apenas fizemos de conta que nada acontecia, pois visitantes na casa, melhor não dar vexame.

Assume um novo Prefeito. Nenhuma providência tomada no sentido de construir um Calendário para utilização dos Equipamentos Esportivos, do legado Olímpico. Uma oportunidade única. Em lugar disso, o que vimos acontecer em pleno inverno brasileiro? Enquanto isso, o Atlético Paranaense, com seu campo de gramado sintético, também reformado na época da Copa do Mundo, desloca partidas de futebol para alojar naquela cidade o Mundial de Volei. Sabe aquelas histórias feitas para dar errado? Somaram várias. Saiu prejudicado o time com mando de campo no estádio, mas não foi o único. Fiquei me perguntando, como, o Rio de Janeiro, após todo o investimento feito para acolher competições internacionais, com equipamentos validados pelo funcionamento quase perfeito nas Olimpíadas, não foi o anfitrião desse mundial.

Essa pergunta não demorou a ser respondida. Vi o circuito de F-1 sair dessa cidade pelas mãos de um Prefeito incompetente, sem visão e que politizou a permanência do evento por aqui. O Marcelo Alencar só conseguiu entregar aos paulistas e a Interlagos o maior circo automobilístico do planeta. Um idiota do ponto de vista da visão estratégica.

Creio que temos vários "Marcelos" desse nível espalhados por aqui. Esse planejamento nas coxas, se repete após quase trinta anos, já que a última corrida de F1 no Autódromo de Jacarepaguá foi em 1989. Não se trata aqui de encarar o lugar como tendo uma cabeça de bode enterrada, ou amaldiçoado por Deus. Pelo contrário, aquele é um dos pontos mais lindos da Cidade e agora, com todas as obras de infraestrutura se tornou um luxo para exercício de um grande potencial esportivo adquirido e inalienável.

Que objeções haveriam portanto para que o Mundial de Volei acontecesse nessa que foi a cidade sede da última Olimpíada? Nenhuma, apenas e tão somente, a incompetência que interdita estádios de futebol para realizar eventos de volei, melhor instalados na melhor estrutura do país. Falta uma mentalidade estratégica, coesa, aplicando inteligência nos assuntos dessa natureza. Não por acaso estamos aí enfrentando o falso dilema sobre torcidas organizadas. Não por acaso, deixamos escapar oportunidades como as de utilização plena de capacidades produtivas recém-fabricadas. Uma verdadeira insanidade empreendedora.

A Urubulândia faz parte desse folclore de baixíssimo nível, introjetado de modo pernóstico por uma direitoria de lógica unilateralmente financeira. A arapuca montada na Ilha não pode ser comparada em qualquer dimensão que seja, aos benefícios de se utilizar o Maracanã. O maior dos benefícios, atender as crianças, idosos e portadores de deficiência, que naquelas instalações tem as melhores condições de segurança e conforto, além da adequação. O público de mais baixa renda, com seus trens e metrôs ali, na porta e deixando em casa, desde que as concessionárias trabalhem como manda a lei, disponibilizando os meios necessários ao ir e vir, após cada partida.

Perdemos o Mundial Masculino de Volei no frio intenso. Demos aos concorrentes, França, Rússia, EUA, entre outros, a vantagem fisiológica para aclimatação em um local muito mais apropriado aos nossos adversários que a nossa equipe.

Os argumentos colocados na mesa são apenas as fraldas borradas pelas lambanças derivadas de um despreparo sistêmico, comandado por fatores meramente políticos e egóicos. O caso Eurico é afirmativo dessa necessária desconstrução. Um sistema jurídico desportivo para cuidar de assuntos de natureza criminal equivale ao mesmo que encaminhar um crime hediondo para uma Vara de Família. Não tem cabimento. A esfera pública extrapola em muito os interesses meramente particulares dos donos privados de clubes, estádios, eventos e organizações esportivas. Há um arco muito mais complexo de relações indissociáveis, dado que a sociedade pagadora de impostos está comprometendo recursos dessa origem, esperando também contrapartidas sociais integradas as melhores práticas civilizatórias.

Do contrário, teremos que ouvir calados a pergunta pertinente dos descomprometidos com a causa: esporte para quê?

A resposta bem poderia ser, entre tantas, o resgate do espírito do geraldino, do torcedor que via no Maracanã, saindo da Zona Sul ou dos Subúrbio carioca um motivo para se divertir, nessa nova configuração que bem custou muito dinheiro e cujo retorno vai trazendo pela pura cegueira de diretivas, uma fracassada basóvia, conversa pra boi dormir, esse lero de "nosso lar". Pelo amor de Deus, não apelem para os filmes de Chico Xavier! O espírito que vos fala é o da 12a camisa, que sempre habitou o nosso templo do futebol e de lá não sairá.

PREVENIR OU REMEDIAR PRA QUÊ?

Vou escrever esse ano provavelmente pela décima vez, sobre o Maracanã. É provável que agora comecem a aparecer aliados. Já na véspera do Vasco e Flamengo, o Juca Kfouri afirmou que o Maracanã havia se tornado um Elefante Branco. Ele copiou a frase de uma série de editoriais e cometeu um erro de perspectiva histórica grave, mas pelo menos fez a crítica ali, sem medo. Ouvir o Eurico afirmar que pediu a PM que fizesse o jogo com torcida única em São Januário e que todos os jogos do time deveriam acontecer ali foi uma desculpa esfarrapada para o grau de autoritarismo de suas opiniões, impostas aos subordinados mas não a sociedade. Ao levar para o campo extremo aquilo que deveria ficar no campo de sua opinião pessoal, colocou pessoas inocentes em risco. Isso não tem desculpa, que veio tarde demais para os problemas desnecessários gerados pela sua arrogância e falta de respeito pelo ser humano.

O que acontecerá agora? Muito simples meu caro Eurico. Graças a falta de habilidade para lidar com o assunto, e levar o jogo com o Flamengo para o Maraca, coisa fácil e simples, bastava querer, o Vasco fica de forma recorrente, na mira da polícia, da imprensa, e botar a perder todo o marketing positivo feito para mostrar um clube muito mais bem cuidado, destrói a imagem em uma fração de segundos. Poucos viram a reforma da piscina. Mas o mundo inteiro viu o caos completo desse sábado, com crianças e mulheres desesperados no meio da confusão, desnecessária, criada por tomadores de decisão voltados para seus próprios umbigos. O Vasco não é o único clube vítima dessa doença.

Na verdade, não são apenas os dirigentes de clube de futebol cúmplices ou omissos para com cuidados mínimos sobre o assunto segurança nos estádios e decisões correlatas no período pós-Copa do Mundo. Nos foi ensinado como fazer. Mas insistimos em não lembrar como. A imprensa tem grande parcela de responsabilidade nisso, por se manter omissa, dado que é sócia e parceira e portanto impedida está de realizar suas críticas. Parabenizar a equipe Sport TV pela ação humanitária é uma coisa. Isentar o baixo nível da discussão é jogar pra debaixo do tapete as omissões sistemáticas de quem não enxerga um palmo adiante do nariz. Semana passada, conversas sobre o Maracanã e sua obsolescência, porque não estádios menores, e uma porrada de blá, blá, blá de quem não entende absolutamente nada de segurança em eventos. Não aprendemos nada e aí ficam ali, olhando o desastre acontecer.

Tragédia anunciada? Pior. Posso garantir que isso é tragédia ENCOMENDADA. Desde os tempos de Roberto Dinamite, me incomodava muito a noção de que alguns dirigentes se colocaram a partir de um dado momento contra o Maracanã. A coisa piorou.

Diante desse quadro de pobreza espiritual, intelectual e moral desses que opinam e comandam o futebol, vou de outra vibe. Ou respeitam o torcedor, ou vou assistir boas peladas de futebol. É da ordem do inacreditável que o Brasil tenha pago a quase reconstrução do Maracanã para que o mesmo não seja utilizado. É mais grave ainda que times de futebol que nasceram e cresceram para o mundo, graças as dimensões do Maracanã, como um vetor determinante para a diferenciação do que acontece no Rio de Janeiro como espetáculo, tenhamos que ouvir tanta babaquice junta.

Estou pasmo com a falta de tudo. Parte omissa da imprensa, essa mesmo que não fez qualquer objeção a razoabilidade das escolha do local para a partida Vasco e Flamengo, apareça agora para condenar e o pior, pedir a punição e interdição de São Januário, que tem o seu valor, o seu momento e o seu lugar para ser útil ao Vasco da Gama.

Tiro no pé, reincidentes, não estamos aprendendo nada, só regredindo, graças a essa completa falta de tudo. O Ministério Público deve fazer um aprofundamento dessas questões. É claro que ter um Estado sem qualquer comando, impede a chamada em caráter emergencial, do Governador inexistente, para dar um jeito de uma só vez na situação em que a Maldição da Odebrecht deixou o maior templo do futebol de todos os tempos. O nome dele é Maracanã. Mas até isso tentaram mudar.

O espetáculo assistido é inaceitável. Mas gera lucro. Alguns saem ganhando, no curto prazo. O espetáculo que assistimos era absolutamente desnecessário. Facilmente evitável, desde que quisessem. Infelizmente vamos ter que ouvir as abobrinhas de gente que vai agora dirigir suas cargas para que a punição tome o lugar da inteligência e da prevenção.

Equipes jornalísticas que fabricam "salvamentos", num tom completamente sensacionalista não servem a qualquer propósito de utilidade pública. Assistimos hoje, o resultado do desserviço para com a sociedade e com o futebol carioca. Não dá para deixar nas mãos desses manés a responsabilidade de nortear soluções. Os mais preparados foram afastados da situação-problema. Tem muita gente ganhando com os desastres no país.