E LÁ ESTAVA A CASA DA RÚSSIA

Casa da Rússia

Vladimir Cavalcante / Vladimir Cavalcante
Instalada na Copa do Mundo da FIFA de 2014 no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro

Nós na condição de anfitriões de pernas abertas. A Lei da Copa criou dois estados de exceção, sem que isso significasse qualquer instauração de ditadura militar. Em primeiro lugar, deram a FIFA de Sepp Blater o direito realizar todo o comércio em território nacional sem pagar impostos. Esse é o pedido de todo empresário nacional e de quem frequenta supermercados. Mas aí não. Foi só para os mui amigos. Papo de Capo da Cosa Nostra.

A segunda exceção não exigir prestação de contas. Tudo correu frouxo mesmo. É provável que isso tenha inclusive confundido quem estava cuidando das obras da Odebrecht e das demais construtoras no período. Sinceramente, da perspectiva do empresário nacional, uma sacanagem deixar a FIFA livre de amarras e eles amarrados as licitações, a tomada de preços, rigor da lei, etc. Por essas e por outras que ninguém deve ter levado muito a sério essa história de tomada de preços.

Afinal, qual a diferença entre um estádio de 1 bilhão ou de 10 bilhões de reais. Os números eram aqueles que você quisesse. Estava tudo liberado. E lá estava eu na Casa da Rússia. Por favor não confundir com a casa da russa, porque essa era outra; e ruiva. Todos os países presentes se instalaram pelo Rio de Janeiro nas Olimpíadas. Com maior ou menor glamour, deram seu recado, deixaram seus cartões de visitas para atrair negócios e pessoas. O Turismo é feito disso e as Olimpíadas no Rio de Janeiro eram para ser uma grande oportunidade. Antes disso a Rússia, já se preparando para receber as seleções que irão disputar a Copa de 2018, trouxeram para o MAM a gastronomia, festas, eventos com times de futebol de lá, muitas coisas que não pude aproveitar pela intensidade de participação na Copa do Mundo em si, no interior dos estádios.

É um tipo de evento cruel. Tudo acontece num piscar de olhos. A Rússia piscou pra mim e mal deu tempo de fotografar para olhar retrospectivamente três anos depois. Um material feito as pressas, sem a qualidade além da jornalística, mas com boas histórias e encontros. Sobreavoar um território em missão de reconhecimento não proporciona o mesmo prazer de uma pousada numa cama embaixo de um belo cobertor. São sensações distintas. Nem sempre dormimos embalados. Por falar em embalos, não é o bonde nem o trem bala. A Moscou dessa Copa das Confederações tem mesmo é uma Locomotiva como time. Quem sabe um dia eu faça o mesmo trajeto de um trem para a Finlândia, daquele romance do Edmund Wilson?

PRESENTES DA FAMÍLIA BRILHANTE

Tudo bem que os Reis Magos seguiram uma estrela com seus presentes no alforje, cruzando longas jornadas para encontrar o destinatário. Nessa segunda-feira, não precisei voltar no tempo, apenas fui agraciado pelo destino. Foram muitos os presentes, justo nesse dia em que soube da morte da irmã de minha avó, chamada por todos de "tia Mena". Um bom pedaço das histórias que ouvi da vovó eram dirigidas aquele lugarzinho, bem ali em Alagoas. Partiu aos 94 anos e deixará saudades. Nessa mesma noite fui sobressaltado por dois pesadelos, o que é muito pouco comum. Os dois de um realismo difícil até de acreditar. Foi então que vieram os presentes.
Já na hora do almoço, entusiasmado ao ver o filme sobre a obra de arte que foi o álbum Sgt. Pepper's, dos Beatles. Não havia como não levar o material para o amigo Sergio Bylucas Brilhante - o Brilhante Master - e poder dividir com ele e com sua mãe pianista, Dona Nina, aquelas reflexões sobre criatividade, genialidade e inovação no campo das artes, em especial no campo da música. Logo após o almoço, fui surpreendido pela localização do filme pelo amigo, no catálogo do BIS. Aí ficou tudo mais simples, tradução bem feita, e qualidade máxima das imagens, avançamos aí na certeza de que nossas aulas de piano nunca mais seriam como antes. A absorção dos conceitos clássicos, somados ao banho pop e a espiritualidade mixadas ao tecnológico, encontrou na platéia reunida na sala a atmosfera ideal para o aproveitamento de um roteiro magnífico e um apresentador excepcional, Howard Goodall. O primeiro presente terminou com uma dessas coincidências que só acontecem uma vez na vida. Bylucas estava com a camisa, produzida por ele, dos Beatles. E essa já era a segunda vez em que entravamos em sincronismo via suas criações. A outra vez foi quando fui visitá-lo e levar a notícia de que havia ganhado um Prêmio por Participação Especial no Festival Internacional de Pipas Artísticas, na Praça do Canhão, e ele me recebera com uma camisa com estampas onde pipas eram o brinquedo das crianças. Esses dois momentos já fazem parte do folclore em que nossas histórias se transformou. Quem não testemunhou vai dizer que é mentira, mas é apenas algo do campo do oculto, do sobrenatural, do que mora entre o incrível e o inacreditável.
O segundo presente teve pausa para lanche, um pouco de Grunge, com Nirvana e a dor humana, Dona Nina por educação acompanhou um pouco, mais interessada nos aspectos semânticos e espirituais da palavra Nirvana, do que propriamente na música da banda de Seattle do Kurt Cobain. Ela desconhecia minha afinidade com o grupo, e que até havia distribuído LP's deles em festas juninas, na época com apoio do Folha de São Paulo. Na primeira oportunidade, voltamos para a série Cosmos, disponível na NETFLIX, onde salta aos olhos a qualidade da dublagem, que permite a Dona Nina - mesmo ainda me devendo o exame de audiometria - ouvir nitidamente cada palavra. Parece mesmo que cada palavra que vem do Cosmos entra na alma dessa senhora de uma idade já bem avançada, mas que continua para nós uma verdadeira criança. Nesse capítulo 5 da série, enveredamos para estudar o que está escondido na luz. E isso a sensibilizou sobremaneira, pois acabara de fazer uma cirurgia de catarata, exatamente para recuperar a visão de seu olho esquerdo. O astrofísico e âncora da série dessa feita foi conhecer a Abadia Beneditina na Bavária, lugar que já foi detentor da melhor tecnologia para produção de lentes e espelhos do mundo. Foi numa daquelas salas que nasceu a fusão da Física com a Astronomia. Tenho certeza que apresentador chorou ao pisar naquele lugar sagrado.
Dona Nina continuou curiosa, pedindo a anotação de frases de uma rara beleza, dessas que não encontramos em roteiros de novelas da Globo. São para outro bico e sensibildade. Esse presente terminou com a apresentação sumária de conceitos que a faziam refletir sobre o que significa enxergar, o que são afinal as cores, como elas se mostram visíveis aos nossos olhos, entre outras questões, que levaram-a até mesmo a questionar a qualidade dos prismas artificiais colocados nos seus olhos, no lugar dos antigos. Sua preocupação para saber se o material era importado ou nacional já garantia não só que havia aprendido tudo, mas que estava apta a fazer uma aplicação prática imediata naquilo que era de seu interesse imediato. Afinal, só faltava isso para voltar as partituras e aprender as cifras de piano para trechos das músicas dos Beatles! Os dois presentes se juntavam de forma espontânea.
Ao final da noite, a turma toda, e a partida dos Warriors contra os Cavaliers. Foi um combate honroso, os juízes não deixaram o nível cair, tudo esteve por um fio já desde a quarta partida. A verdade é que a partida decisiva foi a 1a em casa, onde o Cleveland desperdiçou a chance de ganhar, morrendo na praia desnecessariamente. É claro que Lebron sabia disso. Lutou sozinho nesse último suspiro, honrou o brazão, carregou o piano nas costas, com um Irving heróico e machucado e um Kevin Love muito abaixo do necessário para provocar mais uma partida. Foi com essa família que assisti a Final do NBA de 2017, que consagrou o Golden State campeão com sobras e méritos. É que Lebron é tão grande que vale por qualquer time. Mas o seu time precisa melhorar muito para ser campeão por si mesmo. É sempre bom ver gigantes jogarem, mas é melhor quando o conjunto também aparece. Destaque absoluto na narrativa dessa história sobre basquete para Durant, sem o qual a festa não teria o menor sabor de gratidão. O manto sagrado do Cosmos é dele e da Família Brilhante, a quem devo três.

Três vivas aos Brilhantes, estejam onde estiverem!

INDIVIDUALMENTE MELHORES X MÉDIAS COLETIVAS MAIS ALTAS

O basquete é um jogo essencialmente coletivo. Você pode até dar mais valor aos pontuadores de pico, mas o que vai contar mesmo é a soma de todos os pontos. Sabendo montar o tabuleiro de xadrez, basicamente o que precisa ser feito? Anular ao máximo os melhores do time adversário ao mesmo tempo em que cria condições para garantir a pontuação do maior número de seus jogadores, por mais limitados que sejam. Parece simples, mas não é. Envolve egos e muita adrenalina. Muitas vezes é difícil equilibrar. A consistência defensiva do time do Cleveland é admirável. Somente um time como esse pode impedir o ataque avassalador do Golden State de destruir um jogo, com a facilidade de quem está tirando o pirulito de uma criança.

Hoje, até aonde a seriedade prevaleceu, mesmo com a ameaça de placar se alternando, havia um cheiro no ar de vitória. Ela se cumpriu até os minutos derradeiros. Mas de repente, o time da casa deu uma desconcentrada, entrou em euforia, não administrou a vantagem a poucos metros da linha de chegada, começou a fazer gracinhas em quadra, reproduzindo o estilo do oponente e se desequilibrou pelo tempo necessário para cair desnecessariamente derrotado. Menos por mérito do Golden, que a rigor não foi melhor do que o que todos já sabem que é. Os mais capazes do Cavaliers renderam o que se espera deles. Ainda achei que Irving poderia ter dado um pouquinho mais no fim, brincou e isso pesou na balança. Mas Kevin Love e Lebron estiveram à altura de suas marcas. Foi no fio da navalha, doeu na carne, deixou um gosto amargo na boca e não chegou sequer a dar aos vencedores o sentimento de vitória. Olhei para eles e vi alguma coisa estranha. Uma espécie de pássaro negro Hitchcockiano no ar.

Já tinha uma ideia básica dos números. Voltei para casa e confirmei o que sem anotar vi. Apenas 5 nomes do Cleveland nos quesitos estatísticos Pontos, Rebotes, Assistências, Bloqueios, Roubadas, Turnover contra 6 nomes do Golden State. Os números se espalham mais quando falamos do time da Califórnia.

VAI SER BURRO ASSIM LÁ NA PRAIA

Enquanto o Flamengo jogava, e já na escalação, olhando o conjunto da obra, não era possível acreditar em muita coisa que não fosse Deus. Sim, essa é a fórmula do técnico improvisado Zé Ricardo, que no ano passado, em coletiva com a imprensa após um jogo pífio no Campeonato Brasileiro afirmou que a solução então era algo tipo, rezar, torcer para que as coisas melhorassem. Ali ficou claro que o time não tinha exatamente um técnico, no sentido mais específico da palavra.

Os sinais estavam bem anunciados. Mas é sempre melhor manter a educação e um bom relacionamento com os atores do espetáculo para conseguir sobreviver no meio da imprensa. Mas o que vimos no Recife foi uma vergonha. Qual o time que joga contra o rubro-negro que não sabe que apertar a defesa é sinônimo de passes e gols? Só quem não viu o time do Zé jogar.

Por duas vezes isso aconteceu, resultando no passe de Muralha. Na primeira, a bola devolvida ao goleiro encontrou essa figura estranha acomodando a bola com a mão. Resultado? Dois toques dentro da pequena área, perigo de gol, desespero e bola pra fora, pela lateral. Mas Muralha não estava satisfeito com a lambança da noite. Resolveu fazer mais uma de lambuja. Quem acompanha os aquecimentos dos goleiros no campo sabem que estes profissionais treinam a saída de bola em modo automático, dezenas a centenas de vezes por mês, e a cada momento que antecede o jogo. O que o Muralha fez foi um passe, desses que a defesa de um bando, até inicialmente ajustado pelo Zé Ricardo, vem dando aos amigos do futebol, entregando o ouro. Foi só mais uma, nada de novo.

A novidade foi que ao assistir o jogo ao lado de uma torcedora flamenguista com mais de 80 anos, ficou claro para ela que tudo aquilo não representava a visão de time que o padrão de exigência dos que viram o time ultrapassar os 100 anos exigem. A linha de corte da torcida que viu Zico entre outros craques é muito alta. Por isso é difícil jogar nesse time. Não basta ser bom, razoável, ter altos e baixos. As estirpes que passaram pela Gávea eram da mais alta linhagem e movidas a resultados.

Não que eles não possam ser alcançados pelo Zé Ricardo e seus comandados. Mas nesse caso, só por milagre, palavras e crença do próprio. Como não sou movido por eles quando analiso futebol e esportes em geral, prefiro técnicos que tenham a habilidade de construir e pavimentar o caminho para conquista de títulos. Não é o caso dele, na opinião da torcedora, que me emprestou a frase: "vai ser burro assim lá na praia". Essa ela tirou da cartola. Procurei a expressão no Google e nada. Ela antecede a nomenclatura mais chula de nossos tempos. No passado, a torcida era mais educada e menos afeita a palavrões. Há expressões equivalentes que encontrei na pesquisa. Deixo para vocês encontrarem.

E O BAILE REAL CONTINUA

Foi um baile do Real. Os números, sempre eles. Os números, nem sempre eles. A insistência em contrariar os números. A certeza fabricada pelos números, feitos para te convencer sobre sua inferioridade. Essa, que começou com as escritas amaldiçoadas carregadas como cruz pela Juventus, eterna vice da Liga. Seis, sete, oito medalhas de prata? Perdi a conta. Os números podem te fazer perder. As vezes é apenas uma vantagem econômica. Noutras uma superioridade no scout, chute contra chute a gol, escanteios, desarmes. Chega um ponto em que a diferença pode chegar até a ter um jogador a menos em campo.

Mas o que acontece quando é tudo isso junto?

Goleada. A Juventus caiu de quatro, diante de todos os números e lances feitos, dentro e fora do Baile Real, em que não poderia faltar Bale, num desses trocadilhos infames. Quem não foi convidado pra festa? James. O ressentido Zidane exerceu toda a sua frieza e elegância. O colombiano "jamais" esquecerá. Outro trocadilho infam desses e serei demitido por mim mesmo.

Não tinha cabeça de bagre em campo, mas alguns tremeram nas bases e bolas bobas se entregaram com o desejo das donzelas virgens em busca de um primeiro consolo. Nesse território sórdido, o oportunismo e técnica do melhor meio de campo, desconectou a equipe italiana, já ferida mortalmente por um gol que nem precisava ser tomado.

Nunca gostei muito de ver jogadores que jogam na defesa e se viram de bunda para quem chuta na direção do gol. Acho mais eficaz quem se joga de frente, sem medinho da bola na cara ou no saco. Ali faltou o que já não sobrava. A monotonia de um ataque contra defesa já dava sinais de que aquela história não terminaria como um conto de fadas para o velho Buffon.

Uma desviada nos calcanhares do eternizado Khedira, responsável por tirar da jogada o melhor goleiro da temporada Champions, depois de Navas, que fez chover em diversas partidas. Nessa não foi necessário. A partir dali, tudo parecia dar errado. Mas deu certo, para que o baile se consumasse. O juiz, distraído, não viu a malícia da encenação de Carvajal. E o pobre Cuadrado, em tarde desgraçada, já entrou perdendo. É difícil saber como um atleta vai se comportar num cenário adverso. O equatoriano poderia ter sido escalado de saída, dando a Daniel Alves muito mais liberdade para agir e uma ofensividade que faltava. Bolas desviadas, faltas não tão duras, afinal patrimônios valiosos devem ter no juiz o fiel da balança para suas preservações. Não que possam impedir lesões. Mas podem coibir, com a pena máxima na mão.

Como disse antes da partida, alguém tinha que passar a régua e furar o bolo. Com sobras, o Real Madri chegou merecidamente a mais uma conquista da Champions, que hoje, com mais de 1 bilhão de espectadores no jogo final é certamente a partida de futebol mais importante do planeta. A fórmula de jogo único é muito interessante e por sinal retira inclusive algumas vantagens de se jogar ao lado da torcida mais calorosa. Leva apenas o público especializado, na forma de vida ou profissionalmente. O dinheiro é a mola mestra dessa fórmula de se modelar as competições, e o futebol europeu é de longe, o maior exemplo disso.

Por aqui, em lugar de um Modric, desarmando, armando, se desvencilhando e assistindo, teremos que nos contentar em ver em campo um jogador tipo Márcio Araújo. E sem reclamar, porque se tirar fica pior. A morte dos craques é o espelho do futebol brasileiro de hoje e de seu modelo de desenvolvimento para o futuro dos negócios lucrativos de seus dirigentes e parceiros empresariais. Há um hiato de visão entre nosso potencial em todas as suas esferas e a realidade. Também levamos um baile. Bye Bye Brazil. Agora é ver quem vai passar a régua em quem, nos jogos da final de basquete americano. Papo pra outra história épica, também repleta de números. Eles acompanham até mesmo o nome da Arena do Golden State. A Oracle é nossa velha conhecida, dona dos Bancos de Dados mais poderosos do planeta. Dona do armazenamento dos números dos bailes.

O PAPEL DAS CONTUSÕES NOS MOMENTOS DECISIVOS

Lá estava o Brasil contra a França. Correndo do trabalho para casa, recebo a notícia de que Ronaldo Fenômeno estava fora de jogo. Foi como se estivesse. E ali perdemos a Copa. Antes de tentar ganhar.

Tem sido assim ao longo da história do esporte. Uma equipe sempre tem suas estrelas. Sem elas, apenas um sistema. Não se conquista nada sem elas, mesmo que o lado coletivo tenha seu peso. Essa etapa final do NBA deixou esse lado das competições muito claro. Os times que perderam jogadores diferenciados levaram balaios de gato para casa.

Vejam o caso de Lebron James nesse último confronto com o Boston Celtics. Com uma queda vertiginosa de rendimento, surgem inúmeras hipóteses para ter pontuado como se estivesse amarelando, só 11 pontos num jogo. Um dos motivos apontados é a presença de uma dor, acompanhada de uma bolsa de água quente para aliviar a situação. O desconforto muito intenso pode te tirar do jogo ou reduzir sua concentração.

O caso do Flamengo também entra para essa conta. O melhor momento de Diego no clube, iniciando a despontar com chutes certeiros e bem encaixado no grupo, apontava para um time competitivo, mesmo com deficiências defensivas e um Rafael Vaz limitado na função. Sua contusão me deu a certeza de que o time da Gávea não iria muito longe. E não foi.

Não foram poucas as vezes que deixei de ir ao Maracanã por conta da ausência de um jogador que desequilibra, naquele momento da carreira, nas decisões. Lembro-me do Athirson representando meio time, de fora da decisão. Nem pensei duas vezes. Fui jogar minha pelada de final de semana. Maracanã, só vale para ver espetáculo. E quem dá espetáculo é o nome da vez.

Vejamos o caso da final da Champions League desse ano. Por mais que exista uma comoção nacional pelo Real Madri, para mim está mais do que claro, os dois times são extremamente equilibrados, cada qual na sua proposta de jogo. A vantagem da Juventos é que jogará inteirinha. Já o Real, não sabemos. Bale e Carvajal jogam? Isso faz toda a diferença no equilíbrio da força de ataque, alternando a alimentação pela direita e pela esquerda para CR7 e Benzema. Só Marcelo não vai ser suficiente para desbancar a melhor defesa da competição.

Uma vez mais, as contusões, podem também decidir títulos.

A CULTURA COSPLAY E O MSI 2017

Essa onda que é se vestir numa incorporação arquetípica para participar de uma parformance sempre me fascinou. Afinal, a humanidade está condenada a jogar. Como escreveu Huizinga em Homo Ludens, o que seria da vida sem toda essa variedade de representações e regras de atitude?

Sediando a etapa final do MSI, League of Legends, acompanhei catártico as competições com toda a sua carga de emoção. Esses garotos coreanos já são de um outro mundo. Em especial, Peanut e Faker deixam a sensação de que o e-sport tem seus grandes ídolos. Tudo bem que a torcida local era pelos europeus da G2. Mas não seria justo que os tão superiores em tudo não ganhassem.

Olhando para mais longe e para muitos lugares, encontro referências ancestrais que acabam num somatório bem mais complexo nessa nova linguagem que minha avó certamente não entenderia, mesmo que quisesse. Ali há muito de xadrez, no aspecto estratégico e até na presença das torres, só que bem mais ornamentadas pelos recursos de computação gráfica. Há também a presença da psicologia, na origem da construção dos arquétipos que cada personagem da batalha representa com seus atributos e superpoderes.

No lugar de uma equipe de analistas e um jogador no tabuleiro, como os russos e outros jogadores da matemática dos tabuleiros faziam, cinco jogadores em cada equipe, um técnico que procura ter uma proposta mental para se defender e atacar são a configuração das equipes, conectadas por telas de computador, teclados ainda arcaicos, processadores poderosos e com placas gráficas poderosas, capazes de responder na velocidade de um jogo de ação, tático e ao mesmo tempo pensado, só que na velocidade da luz. Os bits e bytes exigem.

Microfones para comunicação, fones de ouvido e concentração, para a conquista de três dos cinco pontos a serem disputados numa final. É preciso ter um bom condicionamento físico.

Barões e conquistas do Nexus são metáforas que somam pontos como num jogo de cartas, para uma vitória.

Quando tudo isso começou, as máquinas de Fighters eram encontradas em Fliperamas, gigantescas, com manivelas resistentes, capazes de suportar a mão pesada dos agressivos usuários. Hoje, a maior parte dos jovens envolvidos são delicados e precisos, a arma principal é o pensamento ágil e o reflexo. Essas mentes possuem geometria espacial diferenciada, já fazem parte de uma outra etapa evolutiva da história da humanidade.

Por detrás de tudo isso, um suporte para múltiplos jogadores e internet. É a computação dominando as formas de brincar e de interagir. Há uma linguagem por detrás dessa linguagem mais operativa. Ela pertence a uma indústria. A Riot Games é a dona desse pedaço da torta. Um país que se pretende participar dessa nova etapa precisa deter pessoas fluentes nessa nova linguagem.

Jogar e inventar jogos, quem sabe um dia?

A TRAVESSIA DO MAR DE SAQUAREMA

Adriano Souza lembra o Surfista Prateado

Numa saída do mar com vibrações perfeitas, o lugar combinou com o personagem

Essa imagem da saída do mar, do surfista campeão da Etapa Brasil em Saquarema me faz lembrar um herói, o Surfista Prateado. Uma figura enigmática, não cheguei a mergulhar na profundidade da sua arquetipia. Me parecia um pouco deslocado e solitário, de uma pureza fora do comum. Que imagem, que fotografia, que momento.

As vezes, você estar no lugar certo e na hora certa faz toda a diferença. Foram três dias de espera. Valeu a pena. Como eu gostaria de ter estado em Saquarema. Estava tão perto e ao mesmo tempo tão distante. Minhas células vibravam desde segunda-feira para que fosse. No ano anterior, na Barra da Tijuca, também assisti pela internet. Eram muitos compromissos envolvendo as Olimpíadas 2016.

Esse ano não, havia liberdade, e o lugar prometia melhores ondas que as obrigadas a serem inventadas na orla carioca. A legião prateada, ou mesmo blonde, merecia mais que fãs. Dessa vez a combinação equilibrada, um bom surf praticado, ótimos duelos, brasileiros em destaque, polêmicas com julgamentos e interpretações, todos os ingredientes de uma atividade que vai ganhando contornos de competição.

E aí, não tem como dar mole. A prioridade é a vitória.

Com o Titã Adriano Souza.

#wsl2017

DESAFIANDO A LEI DA GRAVIDADE

Gabriel Medina em suas manobras radicais desafia a Gravidade

Foto: DANIEL SMORIGO

#gravity

O Surf merece de longe ocupar o Olimpo. O Japão, que poderia ter sido o Brasil, levará mais essa marca para sua casa. Comemos mosca. Com toda uma geração de surfistas excepcionais, era natural que como mínimo de visão, tivessemos mexido os pauzinhos para sediar no RIO 2016, a competição já em modo Olímpico. Continuamos seguidores.

Não obstante, a bateria mais emocionante dessa etapa #saquaremaitauna em 2017 apontou o melhor até aqui da temporada, saindo da água sem saber se havia ganho ou perdido. Um combate brutal, onde sorte e talento se misturam ao clima de tranquilidade. Ainda é um esporte sem marra, sem a distância entre público e atletas. Trocar a Barra da Tijuca, preferida pelos patrocinadores, por uma praia de condições mais apropriadas para o esporte foi o mínimo a ser feito por esse bando de cabeças de bagre, tomadores de decisão.

O Owen Wright, hoje, é o cara.

VINÍCIUS O NOME DO JOGO

Não que fosse um poetinha, um diplomata galante. Pelo contrário, era negro e pobre. Mas isso não tinha a menor importância. Era um garoto-ídolo, desses que o Brasil vai perdendo com orgulho, quando deveria na verdade se envergonhar. Ao abdicarmos de nossa superioridade no material humano, deixaremos de ser a Meca do Futebol para nos transformamos em mais uma nação satélite desse esporte.

O centro, todos sabem e já estão de acordo, é a Europa. E lá vai ele, o Vinícius Júnior, contando antes com o clamor da torcida, a apoiar cada canelada, cada tremida de perna de uma estréia bem diferente da que se espera de um craque, como se viu com Pelé, Garrincha ou Zico. A timidez e a emoção daquele ato inaugural, que o legitimava como uma promissora estrela a qual estaremos condenados a ver brilhar bem longe daqui.

Nosso futebol, falido, que deseja ainda assim, mamar nos cofres públicos para construir mais estádios, para deixar no mínimo, a metade dos lugares vazios, lugares sem marcação. Pouco ou nada aprendemos.

Quando se monta uma estrutura de produção, seja ela esportiva, de saúde ou habitacional, não basta construir os espaços. É preciso ocupá-los, e nesse caso, com aquilo que fará a diferença, que são os melhores exercendo seus papéis. Ao contrário, vamos perdendo nossos melhores, e mais precocemente do que o amadurecimento exigiria.

A realidade de um jogador de futebol distante de sua terra, é na verdade uma espécie de exílio. Mas trará divisas e lucros, para os que participam desse mercado, na condição de donos. A intensificação das transações aumenta as cifras que circularão em torno dessa atividade. Ao olhar para times como o Real Madri, fica claro a preferência do dinheiro do petróleo pelo investimento ali por perto. Se aventurar pelo Brasil é para poucos.

Por aqui, tudo continua muito confuso e complexo. Não se garante nada, mesmo depois de investimentos faraônicos. Ficarão apenas os furos na Lona da nova cobertura do Maracanã. As da Copa do Mundo, com milhões recebidos e não utilizados para o conserto devido - desvio de verbas - e os novos furos decorrentes das queimaduras das Olimpíadas, de um Comitê que se auto-detonou, como previsto, após cumprir sua honrada missão. A queima de arquivos também faz parte do processo.

Sem as estrelas que ornavam nossas praças de guerra, o futebol brasileiro estará condenado a viver na periferia de uma realidade onde poderia ser o protagonista. Mas ainda vamos fazer acreditar essa gente que o país é pobre, coitadinho, e o melhor a fazer é mandar os que aqui seriam indigentes e mal aproveitados para seguir melhor destino lá fora.

Porque não aqui, senhores, porque não aqui? A coisa mais bonita que aconteceu hoje no Maracanã, não foi o Atlético de Minas, o mais forte concorrente ao título, com Fred, Robinho, Cazares, He-man e Cia. Também não foi o Flamengo desastroso, batendo cabeça com volume caótico de jogo e sem inspiração.

A coisa mais bonita dessa tarde de sábado foi ver entrar em campo um garoto de 16 anos para ser abraçado pela torcida, o 12o jogador em campo, que o aplaudiu e foi lá para ver jogar quem poderia muito bem estar na fila dos que receberão nos restaurantes populares o resultado da renda do jogo. Isso sim, foi marcante.

Porque agora é sofrer pelo empate com o San Lorenzo fora de casa, com um time pouco convincente. Que Deus o guarde Zé Ricardo. Hoje você teve seis minutos de lucidez e leva meus parabéns.

NO MARACANÃ DE 1987 HAVIA ESPETÁCULO PRA CHAMAR DE SEU

Mas também havia lambança.

Como é que um time com Zico, Renato, Andrade, Bebeto, Zinho, Leandro, Jorginho, Edinho, Leonardo e Cia., jogando o que jogaram naquele dia e durante todo o Campeonato Brasileiro, poderia imaginar que perderia no tapetão o título que lhes era de direito? E com a picardia de ver uma juíza, justo uma torcedora do Internacional, votar a favor da perda desse Título. Com requintes de contradição, houve até juiz flamenguista que votou contra pra não dar na pinta. É preferível perder a Taça que perder a autoridade, deve ter pensado o Ministro do Supremo.

Que situação, diriam alguns. Ali, todos estão entre os maiores entendedores de futebol do mundo. Sim, o STF, assim como qualquer esquina do Brasil é quase a Comissão Técnica da Seleção Brasileira.

Tive o prazer de ver a partida que resultou na conquista daquele Título. E digo a vocês, que se tiverem sorte, assistirão as gravações: foi uma das maiores conquistas que o Flamengo já realizou em sua história. Talvez só superada em emoção na final de 1982, também contra um time do Rio Grande do Sul, o Grêmio do goleiro Leão. Pela forma como o gol saiu, acho que o Maraca tremeu mais contra o Grêmio do perigoso Tarciso, apelidado de "flecha negra".

Naquela época o time do Internacional não era esse vermelho desbotado que rolou ladeira abaixo para a segunda divisão. O Internacional disputava com o Flamengo a posição de melhor time do Brasil. De lá vimos sair Falcão e assistimos a onda de importados, onde se destacava de longe a figura de um Elias Figueroa.

Não teremos como recuperar em curto espaço de tempo a dimensão maior de um futebol praticado pelos melhores em suas próprias casas. Hoje os petro-dólares são atratores na Europa-Meca do futebol misturado aos mais altos negócios e a uma série de políticas de imigração e muros. Ninguém precisava pegar um avião para assistir um craque, como fez Tite para ver o Borussia encarar o Mônaco. Bastava pegar o trem da central do Brasil.

Em trinta anos nós perdemos a hegemonia do futebol. E o Flamengo perdeu o Campeonato Brasileiro mais ganho de sua história. A caneta de Eurico Miranda passou por ali, como representante do Clube dos 13 frente a uma CBF aparentemente fragilizada. Os negócios privados são assim. Esse ano foi com a Liga das Escolas de Samba. A diferença é que a Portela não vai recorrer nos tribunais, contrariamente a resposta rápida exigida pela Mocidade Independente de Padre Miguel. Ou será que vai?

Por aqui tudo é possível. Aliás, por aqui e por muitos outros lugares. Tem gente levando medalhas retiradas de atletas olímpicos de dez anos atrás, com aplicação tardia de novas regras de doping.

Não custa nada esperar. Mas em lugar desse saudosismo em torno de um título já tão distante, quem sabe o melhor fosse recuperar e construir uma estrutura mais competitiva com a do negócio do futebol em termos internacionais? Creio que um certo profissionalismo é necessário, diante dos valores envolvidos. Ou então, abraçamos a causa do amadorismo e seguimos para as várzeas Brasil afora, assumindo nossa vocação natural para a dimensão mais brincante dessas confusões todas.

Chama atenção na narração, o minuto de silêncio, pelas vítimas do time do Aliança de Lima, time peruano que teve final trágico semelhante ao do nosso Chapecoense. Naquele tempo essas coisas não tinham tanta repercussão nem tantos oportunistas.

EU PODIA ESTAR NO MARACANA

Eu podia estar no Pacaembu, eu podia estar em Caricica, eu podia estar na Ilha do Governador. Fala pra mim. Com Maraca e Engenhão funcionando dentro da normalidade, precisa de mais estádios no Rio de Janeiro? Plano Diretor na Cidade Maravilhosa Já! Resolveram criar uma onda hipnótica, que tem o objetivo de te convencer, o que falta no futebol do Rio de Janeiro é ESTÁDIO para os CLUBES...

Amigos, estamos desaprendendo os ensinamentos de nossos antepassados, que deixaram de herança o maior patrimônio de equipamento esportivo do mundo, o Maracanã. Sua desqualificação é uma afronta a história mundial do esporte e fruto de uma ignorância da população e de seus influenciadores, uma cambada de falsos líderes, se elegendo para encher os bolsos.

O que querem? Bem, do dinheiro público, alguns, como o Trump, convencer o Congresso de lá a autorizar uns 2 bilhões de dólares para construir o tal do muro. Ele não é o único nessa balada. Mal chegou o Prefeito que prepara seu discurso para explicar a inépcia de 100 dias, e aparecem os muros, dessa vez blindados, e alguns já falam até em argamassa americana! Porra, nosso militares sempre construíram prédios com essa característica, cheguei a morar num, não passa mesmo. Mas afinal, na contramão da Escolas como Espaço de Liberdade e Convivência.

Aí as torcidas são induzidas a acreditar que o modelo de negócio que vai dar certo é o do Estádio Proprietário. Amigo, acorda. A maior torcida do Brasil, por exemplo, foi nascida e criada no Maraca. A expulsão da torcida do maior estádio do mundo é um outro problema, criado recentemente e a ser discutido.

Creio que a Cidade Maravilhosa precisa urgentemente enquadrar essa discussão sobre Obras no seu Plano Diretor. Está na Constituição. Vamos evoluir nesse sentido ou virar papagaio de pirata, repetindo absurdos em tempos de desperdício e crise, botando grana na mão de gente sem noção e preparo, apenas aproveitadores de ocasião.

O CAMPEONATO CARIOCA VIROU COISA DE E.T.
Com um regulamento não traduzido por uma imprensa sistematicamente afastada dos locais das partidas, por razões alheias a vontade da mesma, a coisa tomou um rumo de alienação. Infelizmente, sem saber nada além das datas, sem locais de confronto pré-definidos, sem definição quanto a presença de duas ou uma torcida, com Ministério Público, Empreiteira, Governo do Estado, Partes Interessadas, Clubes e todo mundo envolvido, vivenciando uma confusão dos Quintos.
Foi uma jornada de tormentas. Que arriscam não terminar por agora. Mas pelo menos segue simplificada. Com os quatro grandes, como deve ser, como o torcedor merece. Agora, sem essa palhaçada de jogar no Espírito Santo, ou em Brasília. Vamos ver se tem macho nessas mesas, ou se vamos continuar assistindo essa presepada de um bando de mariquinhas, sem qualquer sensibilidade para compreender que estão matando a galinha dos ovos de ouro.
Ainda tenho que ouvir uma geração de mal formados afirmar que o problema é estádio, que o time tal ou o time tal precisam urgentemente de estádios. Não aprenderam sequer com a lição das construtoras, com a delação da Odebrecht, com Cabral em Bangu, todos descolados da realidade a ser encarada.
A ausência da participação mais ativa da imprensa, fazendo com que a torcida pudesse acessar mais didaticamente, de forma visual e gradual, a complexidade da mudança nas regras de pontuação é um fator a ser discutido. Ver a morte da comunicação e aplaudir, pelo quinhão do patrocinador master é dar um tiro no pé.
A situação virou coisa de E.T.

O CARIMBO DO PASSAPORTE E OUTROS BICHOS

Essa não foi certamente uma semana qualquer. Lá estava a Argentina, sofrendo com a altitude e ofensas sobre genitálias das mães, antes mesmo do mês comemorativo. A figura metafórica do termo pode ser atenuante? Claro que sim. Se dito com carinho, é quase sinônimo de Feliz Dia das Mães. Mas isso vai depender da interpretação e do juízo. Messi de fora, time desnorteado, sem Macherano na defesa, virou um bando dentro de campo, abatido por uma fraca atuação boliviana e alguns fortuitos momentos de alegria nesse vazio de pão e de circo de qualidade. Seguindo a jornada, era hora de acompanhar o Brasil, esse sim, lutando para apanhar o mínimo possível, e que todos pudessem voltar são e salvos para suas verdadeiras pátrias, os times que lhes pagam para exercer a profissão que os enriquecem. A declaração de Marcelo ao final do jogo e após o gol não deixou margem. Vivemos um mundo de transparência e ele foi sincero. É assimétrico jogar pelo país com atletas cuja postura ficará, cedo ou tarde, entre o trombadinha da esquina assaltando e o homem bomba diante de um civilizado com dinheiro no bolso e muito a perder em caso de uma lesão mais grave. É nessa hora que até o futebol se dividirá em dois campos, num a bola tratada com arte, no outro a barbárie. A convivência dessas duas dimensões sempre me deixou com uma pulga atrás da orelha. Há países que não estão preocupados em desenvolver talentos. Seu objetivo de poder, enquanto política de estado pode ser ganhar a qualquer preço. E para isso, há muito bastidor.

O Brasil chegou lá com sobras. O maestro Tite tem sua importância nessa etapa, Gabriel Jesus numa primeira etapa deu conta de dividir com Neymar parte do protagonismo que lhe atrapalhava e agora o time como um todo pode enfim jogar algum futebol digno de ser chamado de coletivo. A parte defensiva ainda não foi testada. Não pegamos ataque pra valer. Mas é nítida a evolução estética e funcional da equipe. Nesse grupo não tem bobo. É um time interessado em conquistas, com um nível técnico muito alto, seja qual for a posição. Treinam pouco juntos, o entrosamento nunca será aquele que vemos em clubes locais, com anos de convívio. Mas a inteligência tática que cada um já traz de suas experiências vai criando um molde interessante. Ainda falta alguma coisa para que em 2018 o lugar de encontro seja coroado com o melhor futebol do mundo.

Enquanto isso é passaporte. Carimbado pelo Peru, quem diria, batendo o Uruguai com Suarez e Cavani. Me pareceu um time fisicamente cansado, com um estilo de jogo que não encaixava diante de um time comandado por Guerreiro, Flores e Cueva. Gostei do modo de jogar dos peruanos, rápidos, bem treinados taticamente, simples e eficientes, me lembraram o time do Chile, que está evidentemente em um nível bem superior e acabou faturando a sua partida diante da pior das seleções, que muitos até diziam estar evoluindo mas que para mim continuará sendo a que representa o país do beisebol no Continente. Um outro embate interessante, pela característica das equipes foi entre Colômbia e Equador. Poderia ter sido diferente. O time de James não está tão bem assim, mas pegou o time mais veloz do continente sem norte. Parece que a irritação tomou conta de um time que por ter uma superioridade física, não gosta de perder, muito menos em casa e acaba apelando para a violência. Como falei, a barbárie e a civilização estão ali, no mesmo palco, dentro da mesma entidade humana. A expulsão amputou as ambições equatorianas, ao menos para aquele confronto em casa e complicou bastante suas chances de classificação nesse momento.

O fator Messi vai definir muita coisa daqui para frente. No mais, é passaporte carimbado e uma treinadinha no idioma russo para cumprimentar com simpatia as mulheres mais belas do planeta. Se não for a caipirinha, será a caipivodka de Tite.